Reflexões sobre pensamentos suicidas

Alerta: este texto pode conter gatilhos sobre pensamento suicida

Este conteúdo é um relato pessoal sobre a convivência com os pensamentos suicidas e as palavras podem ser fortes demais para pessoas sensíveis. Não leia até o final se você começar a se você já passou por esse tipo de experiência.

Todos os dias procuro viver como se fosse o último. Cada momento deve ser experimentado como algo especial. Seja cuidar da minha casa, limpando cada cantinho e deixando tudo cheiroso, ou brincando com meus gatos e observando o comportamento de cada um, como um é tão diferente do outro chega a ser muito engraçado e anima o nosso dia.

Você pode nunca ter parado para reparar, mas é muito gostoso acordar, respirar profundamente um pouco antes de levantar e ouvir o mundo lá fora começando a acontecer. A depressão me tirou isso através do processo de despersonalização, onde a apatia fazia parte dos meus dias não somente de alguns momentos tristes, o que seria comuns a todas as pessoas. As vezes você está mal, mas passa.

Só voltei a sentir a felicidade de viver e estar vivo hoje em dia, mas algo me tira a paz quase o tempo todo: os pensamentos suicidas (ou ideação suicida).

Eu acreditava que, com o passar do tempo e os tratamentos que fiz e faço, isso iria sumir, mas descobri que é algo que não vai embora assim. Quase todos os dias me vem o sentimento de que eu estou cansado de tudo e que eu não quero mais passar por esses problemas. Seria bom se eu não tivesse mais que pensar em nada, nunca mais.

Para muitos pode parecer besteira, mas querer dar um fim na própria vida é como buscar uma solução rápida para todos os problemas que nós temos e não aguentamos mais viver com. Nós sabemos que isso não vai ajudar, sabemos que findar a própria vida vai trazer sofrimento aos nossos familiares, amigos e amigas, e/ou namorados(as). O pensamento suicida é como aquele vídeo de coach de finanças que fala para você fazer day trade que você vai enriquecer de um dia para o outro, você sabe que nada vem ou se resolve tão fácil, mas você está em uma situação de vulnerabilidade tão grande, que acaba caindo no desejo e pode até mesmo realizar isso.

Este artigo é um alerta.

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A linha do tempo de do pensamento suicida na minha vida

Tudo começou com os problemas de relacionamento, mas o namoro não era o que me causava tristeza ou frustrações. Não saber me expressar, não me imaginar suficiente para alguém ou simplesmente o fato de não conseguir melhorar o dia da pessoa que eu amava me trouxeram uma tristeza terrível.

Os desafios de lutar contra os seus traumas e reaprender a viver depois de adulto, afinal de contas ninguém nos ensina a cuidar da saúde mental antes de chegar ao pico dos problemas psicológicos, é algo bem complexo e doloroso. Eu queria ser uma pessoa melhor, mas nada que eu fazia me tornava alguém bom.

Minha comunicação sempre foi agressiva. Foi como eu aprendi a me expressar na rua. Quem fala baixinho vira capacho de quem fala mais alto. E você nem precisa ser uma pessoa forte ou algo do tipo, realmente basta aprender a fazer pressão no ponto certo que o domínio das discussões vira algo comum. Na periferia a gente aprende a falar assim pra que ninguém nos ignore ou “monte em cima da gente”.

A empatia é algo que nos é tirado com a socialização, com isso eu não conseguia entender o desconforto ou as insatisfações da minha companheira. Quando criança, a empatia está ali, mas quando adulto parece que isso some da nossa vida.

Não demoraria muito para que essas frustrações e esses traumas virassem uma depressão e com ela viria o descrédito em tudo o que existe de bom. Nada na minha vida fazia sentido algum. Por que eu queria ser um bom profissional? Pra quê lutar comigo mesmo para ser uma pessoa mais agradável? Por qual motivo eu lutaria por um mundo melhor? A resposta para tudo era: não existe razão para nada disso, desista.

Então, eu desisti. Em 2018 comecei meu plano para resolver todos os meus problemas de uma só vez:

  • primeiro eu iria comprar diversos medicamentos aleatórios
  • cada mês eu comprava um pouco
  • em Julho de 2019 eu tomaria tudo de uma só vez e pronto, resolvido

Para que ninguém desconfiasse, todos os meses eu ia em uma farmácia diferente. Umas perto da minha casa, outras do trabalho, outras longe de tudo. Nunca dizia para ninguém o que eu realmente estava comprando, sempre dizia que precisava comprar algo para o estômago, pois a ansiedade me trouxe a gastrite, ou para dor de cabeça, mais uma vez a ansiedade me causa enxaqueca.

Foi muita sorte que, em 2019, eu conheceria alguém que me ajudaria a buscar uma psiquiatra e isso me ajudaria a continuar vivendo. Mas, mesmo depois da terapia, mesmo depois dos medicamentos, o pensamento suicida continua sendo frequente na minha vida.

Tem dias em que eu acordo e tá tudo bem. Tem dias em que eu quero resolver tudo de uma vez e esses dias são os mais desafiadores. É aí que a terapia se faz tão importante na minha vida. São os conselhos, rotinas e práticas que a psicóloga me passa que me ajudam a encontrar motivos para continuar.

Procure ajuda

Se você sente algo parecido com o que comentei até aqui, procure ajuda profissional. Seja indo atrás de um médico clínico geral ou diretamente em um médico psiquiatra. Não tenha vergonha do que você sente, você não é mais fraca ou mais fraco que ninguém por ter esses pensamentos e não é necessário que você enfrente isso sem apoio.

O maior desafio da minha vida foi falar sobre suicídio pela primeira vez. Eu queria tratar a minha depressão, mas a psiquiatra puxou tão profundo que conseguiu chegar a ideação suicida e fez o seu trabalho de uma forma excepcional. Não fiquei assustado, apesar de nunca ter falado sobre isso anteriormente, ela coletou dados de contato emergenciais e, caso eu precise, basta enviar uma mensagem de alerta para ela e eu tenho apoio com urgência.

Livros que me ajudaram

Li muitos livros que poderiam me mostrar como a vida pode ser algo mais legal, como o Ichigo-ichie de Francesc Miralles e Héctor García, indicação de uma amiga que me trouxe uma visão muito legal de como viver bem cada momento da vida.

Livro Ichigo-Ichie

As coisas que você só vê quando desacelera é um livro que me ajudou a refletir sobre autocompaixão e a observar as coisas ao redor.

Livro As coisas que você só vê quando desacelera

Espero que estes dois recursos te ajudem, mas nada vai superar o apoio profissional. Os livros são somente complementos para o nosso tratamento, assim como medicamentos psiquiátricos.

2020

2020 foi um ano diferente do que eu imaginei que seria. Se no final de 2019 eu pensava que recomeçar muita coisa do zero seria algo pesado e muito trabalhoso, em 2020 senti que foi a melhor decisão que tomei e a mudança foi muito mais favorável e fortalecedora do que eu poderia imaginar.

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Nem tudo que termina bem, começa bem

Apesar de eu te dizer na introdução que 2020 foi um ano legal, não começou nada bem. Começou com uma crise de ansiedade na casa do meu irmão e dia primeiro eu fui embora ainda na madrugada, logo depois dos fogos, deixando todo mundo sem entender o que estava acontecendo e todo mundo chateado comigo.

Não tem como controlar quando virá uma crise, mas tem como controlar o que vai acontecer na crise (depois de tanto tempo se tratando a gente aprende). Eu percebi que precisava sair dali para não acontecer nada de ruim.

Apesar disso, depois eu conversei com eles e tudo ficou bem.

Novas experiências

Esse ano eu fiz rafting pela primeira vez. Foi algo muito louco! Me senti igual os boy que postam fotos de viagens e acampamentos no Instagram, mas foi uma experiência única e transformadora na minha visão de como eu estava aproveitando a minha vida até ali.

Percebi que meu foco sempre foi trabalho. Nunca comemorei meu aniversário, mas neste ano eu estava viajando e me divertindo.

Eu tive apoio nessa mudança, eu comecei um novo relacionamento (foi tudo muito rápido) e ela me apoiou muito para começar a explorar mais a vida e parar de viver pelo trabalho.

Comecei em um novo emprego, adotei 2 gatinhos, Kléber Maurício e Amélia Lúcia. Eu realmente me entreguei para viver algo novo. Fomos para a praia, levamos Amélia para a minha mãe conhecer. Amélia estava doente quando chegou e estávamos cuidando dela com muito carinho, minha mãe precisava conhecer e ajudar a cuidar dessa lindeza.

Comecei a participar de outra coisa que transformaria a minha visão de mundo: os encontros do MEMOH, uma iniciativa que busca a equidade de gênero através da reflexão entre homens sobre vários temas extremamente fortes.

Foi nesse ano que comecei minha terapia com a Gabrielle Zaniolo, que me ajuda muito em meu tratamento para a ansiedade e depressão através do Zenklub.

Momentos de turbulência

A vida é feita de momentos calmos e momentos difíceis e precisamos aprender a lidar com isso.

Amélia não aguentou e nos deixou e, DE REPENTE, estávamos no meio de uma pandemia com a pior liderança de um país entre os piores de 2020. Isso me colocou em um grande desespero, mas precisei controlar e lidar com isso. A terapia nos ajuda demais nestes momentos complicados.

Cometi vários erros que me levaram a rotina ruim de não me cuidar, como parar de praticar exercícios, me alimentar mal e até deixar de cuidar da casa, mas acredito que a maioria das pessoas que estavam cumprindo o isolamento a risca também passaram por isso.

O “legal” é que, nos momentos de turbulência, aprendemos a buscar ajuda e até mesmo paramos de deixar o orgulho nos controlar. Foi um grande exercício pra mim.

Muitas decisões

Dentre várias decisões tomadas em 2020, como não partir para a área de gerência e continuar focando na área técnica (uma longa história), a melhor foi a adoção de Kassandra Helenna e Geremmyas Eduardo.

É isso mesmo! Eu comecei o ano sem nenhum animal dentro de casa, além de mim mesmo, e terminei com 3 meus e um da minha companheira. Você pode ver todas essas crianças no meu Instagram, que está logo abaixo no final do post.

Foi um ano forte, pesado demais e essa pandemia vai trazer ainda muita dor para as pessoas, mas me transformou para algo melhor do que antes.

Hoje eu percebo o meu auto controle, auto conhecimento e felicidade muito maior. Espero não perder isso com o tempo e conseguir compartilhar mais e mais histórias por aqui.

Obrigado por acompanhar o meu 2018, 2019 e 2020.

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Até mais.

Ansiedade, com Gabrielle Zaniolo

Desde pequeno eu sempre tive um comportamento diferente da molecada da vila. Na rua, eu era o mais acelerado, em casa eu era o moleque endiabrado, nas rodas de amigos, eu era aquela pessoa que não consegue parar de falar (inclusive falando besteira na maioria das vezes só para preencher qualquer silêncio que me colocasse em situação de vulnerabilidade ou insegurança). 

Além desse comportamento, que muitas vezes é chato mesmo, eu vivia com muito receio de várias coisas que poderiam acontecer, mas nunca aconteciam. Nos meus relacionamentos amorosos, eu sou aquela pessoa que fica perguntando se está tudo bem, se eu fiz algo errado, se eu posso melhorar. No trabalho, eu sempre fui aquele que fica correndo atrás de mais conhecimento, mais trabalho, mais participação, mais evolução e parece que, por mais que eu viva correndo, eu nunca chego em lugar algum, pois na minha cabeça a linha de chegada nunca vem.
Talvez, se a informação tivesse chegado antes, eu poderia ter evitado muito transtorno, mas o que eu estava fazendo era, basicamente, seguir o protocolo da doença que atinge 63% das pessoas brasileiras segundo a OMS, a ansiedade.

Neste episódio do Malabarizando, conversei com a Psicóloga Gabrielle Zaniolo sobre essa doença. Confira abaixo!

Os links citados no episódio estão logo depois do cast.

Perfil da Gabi no Instagram: instagram.com/psicologagabriellezaniolo

Indicações de livros para entender a ansiedade e outros distúrbios

Links recomendados pela Gabi.

Alguns livros que me ajudaram:

2019

Eu tomei um susto quando fui na psiquiatra pela primeira vez. Na minha cabeça seria só uma consulta igual qualquer outra: entra, senta na cadeira, troca ideia com o médico ou médica, recebe um prognóstico, uma guia de exames e pronto. Só que foi muito mais do que isso. Pra mim foi o que me manteve vivo em 2019.

No post anterior, onde eu falava sobre 2018, comentei como cheguei ao pico da depressão, sobre como a tendência de esconder os sentimentos me levou a carregar um peso imenso, me fazendo muito mal e no final do texto comentei sobre algo novo na minha vida: o pensamento suicida.

Preciso deixar um alerta neste texto, pois teremos gatilhos sobre suicídio, por isso tome cuidado se tem algum pensamento desse tipo e, se não se sentir forte o suficiente, pule metade do texto.

Photo by Aditya Vyas on Unsplash

O processo de aceitação do pensamento suicida

No final de 2018 eu havia decidido que iria dar um fim ao meu sofrimento.

Quando pensamos em findar a nossa vida, não é algo fácil. Não é um sentimento simples de abandonar tudo ou desistir de tentar. Nós tentamos tudo, nós pensamos em tudo, mas mesmo assim, decidimos que precisamos resolver o problema de uma vez por todas.

Eu pensei muito na minha mãe, pensei muito na minha companheira e pensava demais nas pessoas que me amam, mas no final eu já não aguentava mais tanta pressão social, o mercado de trabalho canibal, o sistema social em que vivemos, as dúvidas que eu tinha sobre o meu futuro e/ou sobre quem eu sou, o que eu sou. No final, a solução era dar um fim ao meu sofrimento tirando minha vida.

Tirei alguns dias para planejar como seria e então coloquei o plano em prática no final de 2018 até o meio de 2019, quando de fato eu iria tirar a minha vida. O processo consistiu em comprar medicamentos aleatórios, que eu poderia tomar tudo de uma vez para levar meu organismo a um colapso e se isso não funcionasse eu iria para o processo mais dolorido que seria cortar os punhos.

Assim foi. Mas no meio de 2019, uma amiga me incentivaria a procurar uma psiquiatra para tratar os sentimentos negativos e falta de energia que eu vinha sentindo, pois, para ela, parecia muito com o que o pai dela tem, a depressão.

Em 2019 eu já não tinha mais o preconceito que carreguei por tanto tempo, acreditando que psiquiatra é “médico de gente doida”. Sério, precisamos trabalhar muito para eliminar esse preconceito de vez. Muitas vidas poderiam ter sido poupadas se conversássemos sobre isso.

Yara, você me salvou.

Pode parecer fácil de falar sobre suicídio, agora que eu até escrevo sobre o assunto, mas só consigo me abrir por causa da dor mais intensa que eu senti na minha vida, que foi quando a psiquiatra me segurou em uma sala por duas horas questionando sobre esse assunto. A psiquiatra parecia ter uma picareta e quanto mais ela tentava quebrar a rocha que era falar sobre suicídio, mais dor eu sentia.

Remédios para a depressão

Durante a sessão, foram passados vários exames para verificar como estava o meu organismo, depois de muita pesquisa e análise, a doutora chegou a conclusão de que eu estava em uma depressão profunda e que, no estado em que eu estava, não daria para cuidarmos disso somente com a terapia, seria necessário intervenção de medicamentos para me ajudar a passar pelas intervenções que aconteceriam.

Tudo bem. Como comentei anteriormente, eu já estava mais acostumado com a ideia de passar por psiquiatras e também não tinha mais preconceito contra tomar medicamentos. Com a explicação dela, ficou claro que o uso do medicamento seria temporário e um suporte a terapia.

Foi então que, além da terapia pesada que eu iria enfrentar dali pra frente, comecei a tomar medicamentos para a depressão. O pior é que o pensamento suicida não sumiu de um dia para o outro, então eu pensava também em comprar mais desse remédio, que é bem forte, e usar junto ao meu veneno. Terrível.

Ainda bem que, dali para frente, o processo de recuperação iria começar.

Levanta e anda

A vida até aqui me bateu muito. Eu só não percebi isso porque, para quem está em uma realidade de violência, escassez e escolhas difíceis, aquilo é a única maneira de viver. Mas quando olho para trás, percebo tudo o que é tirado do favelado, tudo o que não é dado e o que passamos em busca do mínimo.

Como diz a letra de Levanta e Anda, de Emicida e Rael:

Quem costuma vir de onde eu sou

Às vezes não tem motivos pra seguir

Então levanta e anda, vai, levanta e anda

O processo de reerguida da minha vida estava começando. Em Agosto de 2019 eu estava buscando a recuperação da depressão, tomando medicamentos para dar suporte a essa situação, fazendo terapia buscando um autoconhecimento e reconhecimento dos traumas que carreguei até ali.

Em novembro de 2019 eu finalizei o meu relacionamento com a pessoa que me inspirou, que cuidou de mim em muitos momentos, que é minha amiga e eu sou seu fã, mas não dava mais certo e estava nos fazendo mal. Ainda em novembro, eu me assumi bissexual publicamente, nas minhas redes sociais e para amigos do trabalho. Conversei com minha mãe sobre minha sexualidade, sobre o fato de eu estar solteiro e que eu poderia aparecer com um rapaz. Em novembro de 2019 eu sai daquele emprego que estava me fazendo tão mal.

Em novembro de 2019 eu decidi recomeçar do zero.

Continua

No próximo texto, vou comentar sobre 2020. O ano em que eu mudei minha vida 100%, comecei um novo relacionamento, tive reviravoltas na vida e no emprego e me levantei de vez para chegar até aqui.

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Até mais.

Empreendedorismo e periferia

Normalmente o que temos como exemplos de empreendedores e empreendedoras de sucesso em filmes ou mesmo nos grandes canais de YouTube são basicamente o mesmo perfil: pessoas brancas, de classe média alta ou que sem sempre foram ricas mesmo, que largaram as melhores universidades de seu país para investir tempo no seu sonho de mudar o mundo através do empoderamento que o capitalismo lhes provém.

Mas e quando um favelado quer empreender, como faz?

Foi sobre isso que conversei com o Roberson Miguel, neste episódio do podcast. Você pode ouvir abaixo, seguir nos agregadores de podcast ou se inscrever no YouTube.

Apoiar o podcast: https://apoia.se/malabarizando.

Indicação de livros

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